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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

10- Manifestações Extra-Intestinais

Sejam Bem-vindos!

O post de hoje é para abordar um tema que intriga a maioria dos pacientes. Aproximadamente metade de todos os pacientes com doença de Crohn desenvolve sintomas relativamente leves.

No entanto, outros podem sofrer de dor abdominal (cólica) importante, diarréia com ou sem presença de sangue, náuseas e febre. Os sintomas da doença tendem a surgir e desaparecer. No intervalo entre as crises, os pacientes tendem a não apresentar sintomas. Esses períodos livres de doença podem durar de meses a anos, embora os sintomas eventualmente retornem.

Além dos sintomas relacionados ao trato gastrintestinal, alguns pacientes com doença de Crohn podem apresentar manifestações relacionadas a outras regiões do corpo. Em algumas pessoas, elas podem ser os primeiros sinais da doença, aparecendo mesmo antes do surgimento dos sintomas gastrintestinais. Vamos citar as mais comuns.


MANIFESTAÇÕES ARTICULARES

Artrites – A doença de Crohn pode acometer o aparelho locomotor e envolver predominantemente as articulações dos joelhos e tornozelos. Esta artrite, como é chamada, provoca muita dor – é como se um osso estivesse fraturado e fosse necessário engessar. Na maior parte das vezes, as artrites são migratórias e podem ocorrer em 15% a 20% dos casos.

Espondilite anquilosante – Muita gente se queixa de dores na coluna. As explicações para elas são quase sempre as mesmas: carregar peso em excesso, dar um mau jeito, dormir numa má posição e por aí vai. Nos pacientes de DII, entretanto, a coluna e as articulações sacroilíacas podem ser agredidas em 5% dos casos, podendo evoluir para uma espondilite anquilosante, a tal da dor nas costas. E isso independe do controle da doença intestinal. Na verdade, essa manifestação articular pode preceder os sintomas intestinais. O tratamento medicamentoso dessas artropatias consiste em antiinflamatórios não hormonais, sulfassalazina e, às vezes, infiltrações articulares.


MANIFESTAÇÕES DERMATOLÓGICAS

Pioderma gangrenoso – Começa com uma feridinha, que geralmente fica vermelha ao seu redor, e vai crescendo. As pessoas até chegam a pensar que se trata de um processo de herpes e acabam procurando um farmacêutico para indicar uma pomada. Isto é o que não deve acontecer. Essa lesão de pele, que pode atingir pessoas de qualquer sexo e idade, pode ser uma manifestação de Crohn ou Colite – e pode acontecer antes mesmo que a pessoa saiba que tem a doença. O certo, nesse caso, é procurar um dermatologista para tratar. O pioderma gangrenoso só pode ser curado com corticóides em altas doses.

Eritema nodoso – Esta é uma lesão na pele que é dolorosa e é mais freqüente nas mulheres que têm Crohn, sobretudo naquelas que tomam pílula anticoncepcional. O eritema também atinge mais os membros inferiores do paciente. O paciente deve usar antitérmico para uma febre ocasional e fazer repouso. Esta lesão tampouco deixa seqüelas.

Em cerca de 20% dos casos as conseqüências do Crohn e da Colite podem aparecer em outras partes do corpo: aftas na boca, inflamação na pálpebra e manchas vermelhas na pele são algumas outras manifestações extra-intestinais na pele.


MANIFESTAÇÕES OCULARES

Uveíte — Parece uma conjuntivite, desse tipo contagioso, que passa de uma pessoa para outra após o contágio, mas pode ser uma manifestação extra-intestinal. O olho fica vermelho e pode provocar dor, lacrimejamento excessivo e sensibilidade à luz.

Episclerite – Esta inflamação ocorre no tecido que cobre a esclera (a parte branca do olho) ou a pálpebra. Ocasionalmente, pode haver também um nódulo branco que muitas vezes se confunde com um tersol.

Tanto a uveíte quanto a episclerite atingem aproximadamente apenas 8% a 10% dos pacientes de DII. É importante que os pacientes que têm esses problemas façam uma consulta em um oftalmologista de três a quatro vezes ao ano.


MANIFESTAÇÃO HEPÁTICA

Existem vários problemas relacionados com o fígado e os ductos biliares na DII. O fígado pode desenvolver uma inflamação ativa, que habitualmente regride com o tratamento apropriado da doença. Os ductos biliares podem, embora raramente, desenvolver uma forma particular de inflamação chamada de colangite esclerosante, que pode não melhorar com o tratamento clínico comum.


MANIFESTAÇÕES ÓSSEAS

Osteoporose - Alguns pacientes desenvolvem a osteoporose ao longo do tempo, mas essa manifestação é vinculada ao uso prolongado de corticóides, e não à doença em si.


Outras manifestações existem mas citamos apenas as mais comuns, relatadas na literatura científica, na internet e na fala de vários pacientes. Quanto às fístulas, falaremos delas em outra oportunidade, por ser um assunto extenso e mais complexo.

Bjim!


sábado, 23 de fevereiro de 2008

9- Pesquisa Genética


Oi, gente!

Venho mais uma vez contar com o apoio de vocês para uma questão muito séria. Na última reunião do GADII (em BH/MG), contamos com a presença de 2 Biólogos, doutorandos em Genética, que estão desenvolvendo um projeto na UFMG, contando com o apoio do Instituto Hermes Pardini. Irei transcrever, na íntegra, a explicação dada por eles durante a reunião.

É um assunto de grande relevância, que com certeza ajudará nos diagnósticos (tão difíceis das DII). Gostaria muito da colaboração de todos!


"Projeto de pesquisa

Determinação e identificação de predisposição genética a doença celíaca, doença de Crohn e colite ulcerativa em indivíduos com quadro de desnutrição crônica.

A doença de Crohn e colite ulcerativa são doenças que afetam o trato gastrointestinal e que causam um quadro de diarréia com conseqüente desnutrição crônica. Em algumas situações, o diagnóstico diferencial entre estas doenças torna-se difícil pois elas possuem vários sintomas em comum. Por possuírem um caráter genético, este trabalho tem como objetivos:
  • identificar genes que possam influenciar no desenvolvimento da doença
  • auxiliar no diagnóstico diferencial destas.
A pesquisa trata-se de um projeto de doutorado desenvolvido no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, contando com o apoio do Instituto Hermes Pardini. Todo o material biológico, após a extração de DNA, será descartado segundo normas da Vigilância Sanitária.

Por se tratar de um projeto de pesquisa, não se pode afirmar que haja vantagem direta para cada participante, uma vez que já estão diagnosticados. No entanto, a pesquisa da predisposição genética a estas doenças pode ser de grande valor para os familiares em 1° grau dos pacientes, permitindo a possibilidade de tomar medidas preventivas mais direcionadas.

Fica garantido a todos o sigilo sobre os dados clínicos e laboratoriais, e a proteção de sua identidade em caso de publicação na imprensa científica. Não recairá sobre os participantes da pesquisa nenhum ônus ou despesa financeira. O resultado dos testes será encaminhado a cada participante, mantendo o sigilo deste.

Para participarem do projeto, é necessário coletar uma amostra de sangue total em EDTA ou 2 swabs bucais (procedimento indolor), após assinar o termo de consentimento. A coleta poderá ser feita em unidades do Instituto Hermes Pardini. A participação também está aberta aos parentes de 1° grau (pais, filhos e irmãos) dos pacientes.

Quem tiver interesse ou quiser esclarecer dúvidas, favor, entrar em contato, antecipadamente à coleta, com Vanessa Oliveira pelo email: dna9@labhpardini.com.br ou telefones (31) 3228-6517 ou 3228-6524."



É isso, gente...

A Dra. Vanessa também me disse que para pessoas que moram fora de BH, quando elas entrarem em contato, verão onde pode ser feita a coleta. Inclusive já temos pessoas do RJ e de Salvador que mandaram um e-mail para ela e conseguiram uma filial do Instituto por lá também. (isso graças à propaganda que também colocamos em comunidades sobre DII no orkut)

O termo de consentimento e a ficha de indentificação estão nas unidades para preenchimento em Belo Horizonte. Para pacientes fora de BH, é preciso imprimir, preencher e levar no momento da coleta.

Quem quiser os dois documentos pode me pedir por comentário aqui do blog ou por e-mail, ok? (lecavc@gmail.com).

É um trabalho importante, que visa tratamentos melhores futuramente. Acho que é nosso dever colaborar.

O Swab é uma escovinha que o pessoal do laboratório vai passar internamente na sua bochecha, ou seja, é completamente indolor. Não custa!

Vamos fazer nossa parte!

Conto com vocês!!!

Bjim

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

8- Colonoscopia

Existem vários exames para a confirmação da DII e também para o acompanhamento da doença. Para controle, os mais comuns, além dos exames de sangue, são o Trânsito Intestinal (ou Morfologia do Delgado) e a Colonoscopia. Como me pediram para falar um pouco mais sobre a colonoscopia, criei esse post para detalhar um pouco mais sobre o procedimento, pois várias pessoas se sentem inseguras em relação a ele, mas é um exame simples e tranquilo. A parte mais "chata" é seu preparo.

Quem já foi em um(a) coloproctologista já deve ter feito o exame retossigmoidoscopia, aquele em que você fica literalmente "de quatro" e o médico introduz um aparelho pelo ânus. Pois bem, é parecido com a colonoscopia, só que o aparelho só consegue chegar até uma parte do cólon descendente.


A colonoscopia é um procedimento comum e muito seguro para examinar a região do intestino grosso. Colonoscopia significa “olhar dentro do cólon”. Permite que o médico examine as paredes do cólon (intestino grosso) através de um aparelho, o colonoscópio, que consiste em um tubo flexível de aproximadamente um dedo de espessura, com uma micro câmera e uma luz para examinar cuidadosamente o trato intestinal. O colonoscópio fica conectado a um monitor de televisão que permite ao médico visualizar as imagens do cólon. Diversas ferramentas pequenas podem ser inseridas através do colonoscópio para o médico obter amostras e biópsias do cólon e, também, realizar uma quantidade de manobras que o auxiliam no diagnóstico.

Para tanto é fundamental que o intestino grosso esteja muito bem limpo para que o exame seja satisfatório. O preparo é muito simples e é realizado através de medicações laxativas para limpeza do cólon, e de uma dieta adequada na véspera do exame. Este preparo é importante, pois irá permitir ao gastroenterologista uma visão mais clara e precisa durante o exame. Lembre-se de beber muita água nesta fase, para repor os líquidos que seu intestino deve perder.

Se você precisa tomar medicamentos já receitados, o faça somente com água. Produtos à base de aspirina (AAS, ácido acetilsalicílico) e preparações que contenham ferro devem ser suspensos dois dias antes do exame.


Você deitará confortavelmente sobre seu lado esquerdo e receberá soro e uma solução sedativa, pela veia, para seu relaxamento. O médico, então, passará o aparelho através do ânus para o reto e posteriormente por todo o cólon. Você poderá sentir alguma cólica e sensação de estufamento, pois é necessário manobrar o aparelho e colocar ar no intestino para permitir o exame de suas paredes. Essas sensações são normais e passam rapidamente. Às vezes, são necessárias trocas de posição durante o exame, para facilitá-lo. Se necessário, pequenas amostras de tecido (biópsias) serão retiradas para análise. Não se preocupe, pois isso é totalmente indolor.

O tempo de duração do exame pode variar entre 15 e 20 inutos e até 50 minutos, dependendo do grau de dificuldade para introduzir o aparelho até o início do cólon e de eventuais procedimentos que se fizerem necessários (por exemplo, retirada de pólipos).

Após o exame o paciente permanecerá na área de repouso até que os efeitos dos medicamentos desapareçam. Cólicas leves, estufamento e desconforto no abdomen poderão ocorrer devido à presença de ar no intestino, aliviando após sua liberação.

Em virtude do uso de medicação sedativa, você não poderá dirigir automóveis, operar maquinaria ou tomar decisões importantes pelo resto do dia. Mesmo que você se sinta normal, é sabido que a sedação diminui os reflexos e o julgamento por várias horas. Por esse motivo, venha acompanhado para o exame por alguém capaz de levá-lo para casa.

Se você quiser saber mais sobre algum exame, deixe sua sugestão nos comentários, ok? Abaixo deixo um vídeo de uma parte de uma colonoscopia, para quem tiver interesse.

Bjim!