Pesquisar

Mostrando postagens com marcador Colonoscopia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colonoscopia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de julho de 2008

31- Analisando outra Enquete...

Oi, pessoal!

Dando uma pausa no relato, vamos analisar o resultado da última enquete:

"A quais exames você já se submeteu durante o tratamento da Doença de Crohn?"

Resultado:
  • Colonoscopia - 86%
  • Trânsito Intestinal - 72%
  • Ultra-sonografia - 8%
  • Tomografia Computadorizada - 7%
  • Enema Opaco - 6%
  • Ressonância Magnética - 5%
  • Outros - 4%
  • Cápsula Endoscópica - 1%
Apenas lembrando que as pessoas puderam votar em mais de uma alternativa, por isso a soma deu mais de 100%.

E os dois exames que imperam mesmo são a colonoscopia e o trânsito. Eu faço o trânsito anualmente e a colono de dois em dois anos. Os outros exames, com exceção da cápsula, só fiz para pesquisar problemas durante crises do crohn.

Mas como várias pessoas ainda perguntam sobre detalhes dos exames, vamos aproveitar a enquete e esclarecer sobre eles, ok?

COLONOSCOPIA

Esse exame já foi bastante comentado aqui no blog, vocês podem acessar o marcador "colonoscopia" para verem todos os posts que falam a respeito. Mas basicamente consiste no seguinte:

É um exame endoscópico que percorre todo o intestino grosso e a porção final do intestino delgado (íleo), como mostra a figura abaixo:

Serve para avaliar a mucosa do intestino, seu calibre, realiza a coleta de material para biópsia (exame histopatológico) e faz também alguns outros procedimentos, como a retirada de pólipos. É realizado sob sedação (não é anestesia) e na presença de anestesista.

É necessário um preparo no dia anterior ao exame, com o objetivo de limpar todo o intestino, para que a passagem do colonoscópio seja tranquila. O procedimento dura em torno de 20 minutos, tempo esse suficiente para a passagem do tubo por todo o intestino.

Na extremidade do tubo do colonoscópio ficam a câmera, a lâmpada, o orifício para injeção de ar/água que vai "abrindo" o intestino para a passagem do tubo e a pinça que permite a retirada de pólipos e amostras para a biópsia. As imagens da câmera são passadas em um monitor colorido e podem ser gravadas também.

TRÂNSITO INTESTINAL

É um exame radiológico do intestino delgado realizado após a ingesta de contraste de bário, obtendo-se filmes radiográficos de tempos em tempos para acompanhar a progressão do meio de contraste pelo delgado até atingir o intestino grosso e realizando-se compressões abdominais quando necessário. Esse exame possibilita a análise morfológica do delgado para o diagnóstico de várias patologias, como diarréias crônicas, doenças inflamatórias, neoplásicas e obstrução intestinal entre outras. A duração do exame depende do seu ritmo intestinal, em média de 2 a 4 horas.

É comum que as chapas sejam tiradas também com a passagem do bário pelo intestino grosso, para que a análise seja completa. É importante para analisar a motilidade das alças do delgado e se detecta qualquer processo focal anormal, tal como aderência, tumor ou hérnia.

O preparo é simples, apenas jejum antes do exame. Como geralmente é feito pela manhã (pois é demorado), basta apenas não comer nada antes. O bário é ingerido na hora do exame.

Quando termina, você vai evacuar a solução de bário por várias vezes durante o dia e normalmente, pode alimentar-se sem restrições.

O maior incômodo desse exame é a demora: a cada 20/30 minutos, deita-se na mesa e tira-se uma chapa radiográgica.




ULTRA-SONOGRAFIA

É um método diagnóstico que aproveita o eco produzido pelo som para ver em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas e órgãos do organismo.

Apresenta a anatomia do órgão em imagens seccionais ou tridimensionais, que podem ser adquiridas em qualquer orientação espacial. Também permite a aquisição de imagens dinâmicas, em tempo real, possibilitando estudos do movimento das estruturas corporais.


TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA

É um exame de diagnóstico por imagem, que consiste numa imagem que representa uma secção ou "fatia" do corpo. É obtida através do processamento por computador de informação recolhida após expor o corpo a uma sucessão de radiografias.

Para obter uma TC, o paciente é colocado numa mesa que se desloca para o interior de um anel de cerca de 70cm de diâmetro. À volta deste encontra-se um suporte circular designado gantry. Do lado oposto à ampola encontra-se o detector responsável por captar a radiação e transmitir essa informação ao computador ao qual está conectado.

Durante a tomografia acontecerá a administração intravenosa de contraste, para que haja uma qualidade de imagem superior. O risco é pequeno em relação ao contraste, mas existe.

Durante o exame, você é atendido por uma equipe especializada em TC, com a qual permanecerá em contato visual e vocal constante. Apenas relaxe, ficando imóvel na mesa de exame, e siga as instruções da equipe de TC. Os exames duram de 5 a 30 minutos, dependendo da área do corpo que estiver sendo examinada.


ENEMA OPACO

O objetivo do enema opaco é estudar radiologicamente a forma e a função do intestino grosso, bem como detectar quaisquer condições anormais. Tanto o enema baritado com contraste simples, quanto com duplo contraste incluem um estudo de todo o intestino grosso.

O intestino deve estar vazio, completamente limpo.

Primeiramente tira-se uma radiografia piloto de todo o trato gastrointestinal. Em seguida, uma sonda é inserida pelo ânus do paciente para a introdução do contraste de bário. Logo depois, o paciente é submetido a algumas manobras abdominais para que o contraste chegue até o final do intestino grosso (ceco).

É um exame constrangedor para a maioria das pessoas, mas necessário para melhor visualização do intestino.

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

É um método de diagnóstico por imagem que não utiliza radiação e permite retratar imagens de alta definição dos órgãos. O equipamento que realiza o exame trabalha com campo magnético, e, por isso, algumas precauções devem ser tomadas para realização do exame, como não utilizar jóias e maquilagem, entre outros.

Durante o exame você ouvirá um barulho parecido com batidas em intervalos regulares. Isto significa que as imagens estão sendo tomadas e principalmente durante o barulho você deverá permanecer bem imóvel. Geralmente, antes do início do exame, o técnico lhe dará protetores para o ouvido ou um fone especial para reduzir o barulho. Em alguns equipamentos é possível até mesmo tocar sua musica predileta para ouvir durante o exame.


CÁPSULA ENDOSCÓPICA


Uma pequena cápsula é ingerida com água e, enquanto faz o percurso pelo aparelho digestivo, envia para um gravador conectado à cintura do paciente as fotos captadas por microcâmeras de vídeo. São duas fotos por segundo. Um computador processa as imagens capturadas, o que permite que o médico as analise como se fosse um filme de aproximadamente uma hora.

O indivíduo não sente dor e pode realizar suas atividades cotidianas, sem necessidade de ficar em ambiente hospitalar. Ao final do procedimento, a cápsula, que é descartável, é eliminada naturalmente.

O exame por cápsula proporciona conforto e, fundamentalmente, a obtenção de um diagnóstico seguro ao percorrer áreas do aparelho digestivo de difícil acesso.



*******************************

Espero que tenha sido uma postagem útil... sugestões também serão bem-vindas.

No próximo post, começo o ano de 2006!

Até lá!!!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

29- Ano complicado...

As aulas começaram em fevereiro/05, e esse semestre as matérias seriam totalmente teóricas e, segundo os que já haviam passado por ele, extremamente cansativo. Mas não desanimei. Sabia que o pessoal reclamava muito e aproveitava pouco. Resolvi não prestar atenção ao falatório e me dedicar aos estudos, por mais cansativas que fossem as matérias. Mas, com o passar dos dias, senti uma dificuldade muito grande de acompanhar as aulas. A dor da sacroileíte estava ficando cada vez mais forte. Foi nessa época que a reumatologista disse que a fisioterapia já não adiantava mais. E aquele remédio para a dor, o sub-lingual, ajudava, mas me deixava completamente passiva. Como era um semestre em que não haveria laboratório nem aula prática e nem estágio em campo, solicitei à minha médica que atestasse minha incapacidade de freqüentar as aulas para que eu conseguisse a Assistência Domiciliar.

E assim fizemos. Dei entrada com o atestado na faculdade e os professores começaram a me mandar as matérias a serem estudadas, as referências bibliográficas e os trabalhos que eu deveria fazer ao longo do semestre para compor os pontos totais. Isso ajudou bastante, pois deitava, sentava e ficava em pé sempre que sentia necessidade. Podia estudar dentro dos momentos em que me sentia melhor para isso.

Em março/05 decidimos por nova colonoscopia. Fui fazer novamente o risco cirúrgico e tudo estava controlado. Marcamos o exame para o dia 02 de abril/05, mas dessa vez seria na clínica da minha médica. Ela estava toda equipada para o exame e já possuía também autorização para realizar o procedimento lá mesmo. O relatório:

“Preparo pré-endoscópico: picossulfato de sódio – 2 sachês. Medicação pré-endoscópica: Dormonid – Fentanil – Propofol com assistência do anestesista e monitorização cardio-respiratória. Medicação pós-endoscópica: Luftal Duração: 25 min Achados Endoscópicos: colonoscopia até o íleo terminal em boas condições de preparo. Reto apresentando mucosa granulosa, brilhante, com destruição da vascularização da submucosa, úlceras longitudinais e fibrose importante. Os segmentos colônicos encontram-se de conformação, elasticidade e calibre alterados: há áreas de mucosa destruídas, com úlceras convergentes (em pedra de calçamento), edema, encurtamento colônico e áreas de estenose parcial. A válvula íleo-cecal encontra-se estenosada parcialmente. A mucosa ileal está preservada. Realizada biópsias seriadas do ceco ao reto. Ausência de formações polipóides e tumores em todo o trajeto colônico e reto. Não foram identificados óstios diverticulares em cólon sigmóide bem como não há sinais diretos de espasticidade colônica neste segmento. Não foram observadas ectasias vasculares ou vasos de distribuição aberrante. Conclusão: doença de Crohn desde o ceco até o reto, com alterações inflamatórias importantes. Nível atingido: íleo terminal Polipectomia: não Complicação: não”

Esse exame foi o que teve um resultado pior. Na verdade, todos eles vêm piorando. Só ficava me perguntando como isso tudo ia acontecer quando não tivesse mais para onde nem como piorar.
O laudo das biópsias:

“Fragmentos irregulares de tecido do ceco, cólon direito, cólon transverso e reto. São semelhantes e mostram fragmentos de mucosa tipo colônica apresentando denso infiltrado inflamatório grânulo-mononuclear com formação de alguns microabcessos de cripta, alguns granulomas epitelióides não caseificantes, proliferação fibrovascular, congestão e edema. Há áreas de ulceração recobertas por exsudato fibrino-purulento, esboço de fissuras e alterações regenerativas do epitélio glandular. Ausência de microrganismos específicos, displasia ou malignidade. Conclusão: colite/retite crônicas com atividade acentuada, granulomatosa e ulcerativa (alterações compatíveis com doença de Crohn em atividade).”

Aqui, vou abrir um espaço para explicar melhor a colonoscopia. Achei umas fotos na internet muito boas e que mostram, didaticamente, tudo que o exame identifica e faz. Vejam:

Nessa imagem, o médico introduz o colonoscópio pelo ânus. Ele é flexível e consegue passar pelo intestino grosso todo: ânus, reto, sigmóide, cólon descendente, cólon tranverso, cólon ascendente, ceco e final do íleo (intestino delgado).



Aqui vemos a extremidade do colonoscópio, inserido no paciente. Nessa ponta vemos um orifício, onde há uma lâmpada, outro que tem a câmera, outro para a irrigação (ar/água) e outro para a saída de instrumentos .

E nesse último, a saída do intrumento que processa a retirada de material do intestino para a biópsia.


Em maio/05, novo Trânsito Intestinal. O laudo:

“Estômago e duodeno aparentemente sem alterações. Trânsito do delgado processando-se sem obstáculos, em tempo normal. Alças jejunais e ileais proximais e médias de topografia, forma, contornos, calibre, relevo mucoso e elasticidade parietal normais. Alças do íleo distal e terminal mostrando segmentos com redução acentuada da elasticidade parietal e calibre, além de alteração do padrão mucoso, intercalando-se com porções de aspecto radiológico usual. Quadro radiológico compatível com processo inflamatório segmentar do íleo (Crohn?)”

De posse de todos esses exames, a fístula e o diagnóstico confirmado da sacroileíte, ficou claro que eu deveria começar o tratamento com o infliximab. Mas uma das restrições do uso desse medicamento é a tuberculose. E por isso, fiz radiografias do tórax (PA e perfil) e um exame laboratorial de Reação Intradérmica. Ambos deram negativos para Tuberculose. Por ser um medicamento com vários (e são vários mesmo!) efeitos colaterais, e com um índice de rejeição por volta de 60%, conforme dados pesquisados, minha médica teve esse cuidado de pedir todos esses exames. E mesmo assim, resolvemos arriscar. Entrei com os papéis na Secretaria de Saúde e fiquei aguardando o parecer.

Em meados de junho a secretaria da faculdade me ligou. Uma das professoras do colegiado conversou comigo e disse que a PUC havia alterado algumas regras da Assistência Domiciliar e que tudo já havia sido registrado e divulgado. A mudança é que eu ficaria obrigada a me submeter às provas finais do semestre. Eu deveria marcar com cada professor o dia e a hora para a realização de cada uma das provas. Entrei em desespero. Estava muito mal fisicamente para deslocar 6 vezes para a faculdade e as matérias que os professores me passaram não eram as mesmas das provas aplicadas aos alunos em sala. Estava acompanhando tudo através de colegas de sala e sabia que estava estudando coisas diferentes, para compor trabalhos de pesquisa. Resolvi pegar as datas das provas finais e comparecer para fazê-las junto com toda a turma. Mas, logo de cara, não consegui ir nas 3 primeiras. A dor era muito forte nesses dias. Resultado? Perdi o semestre. Fiquei muito, mas muito chateada mesmo. Se soubesse que seria assim, tinha trancado a matrícula. Gastei um dinheiro que praticamente não tinha, para ter que perder todo o semestre! Imaginem como meu estado emocional ficou... lembro muito bem dessa época. Foi um momento em que me senti fraca, derrotada, chorei por dias seguidos e mal saía do meu quarto.

O ano de 2005 foi o pior até então. Em todos os sentidos... Meu emocional ficou muito abalado em função de tudo que acontecia e desanimei geral. Só de relatar tudo isso aqui hoje, volto naquela época em pensamento e até arrepio. Não quero passar por tudo isso novamente...

Pergunta: Vocês acham que ainda tem como ficar pior?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

19- Vídeo sobre Trânsito Digestivo

Oi, gente!

Espero que vocês estejam com a saúde controlada...

No post de hoje, vou falar muito não... Achei esse vídeo (em 2 partes) muito interessante e queria compartilhá-lo com vocês, principalmente quem não tem contato com a área da saúde e ainda não viu como funciona nosso trato gastrointestinal.

O vídeo tem umas imagens aleatórias (é antigo) mas mostra com perfeição como a digestão se processa através do exame chamado videofluoroscopia.

Peço desculpas a vocês, mas precisei converter o vídeo para que o blog o aceitasse e usei um programa que fica fazendo propaganda o tempo todo em que o vídeo é exibido. Prometo aprender mais sobre isso para que os próximos não venham com esse tipo de transtorno.

Se cuidem e até a próxima!

Bjim!!!





domingo, 23 de março de 2008

14- Aprendendo a Crohn-viver (II)

Continuando...

Chegando no hospital (8:30h), me levaram para o pronto-atendimento (PA). Fui colocada em uma maca e pedi ao Clínico de plantão que contactasse minha médica, que trabalhava naquele hospital. Por sorte minha, ela estava lá, mas já havia começado uma cirurgia. Sim... minha médica também é cirurgiã. Perfeito!

Quando terminou a cirurgia foi ao meu encontro no PA, pediu uns exames de sangue, de urina e disse que iria me internar por alguns motivos: para analisar o que estava acontecendo de fato comigo, para realizar nova colonoscopia (já estava na época e aproveitaria a internação), e para que eu pudesse descansar. Isso mesmo, descansar. Foi ali que minha ficha caiu. Realmente era o que eu mais precisava no momento e não havia percebido. Passei o ano todo e mais alguns meses, “enfiada” no meu trabalho e em outras coisas. Contei às pessoas que conviviam comigo sobre a doença mas, observando melhor, não havia ainda assumido o Crohn como uma doença que faria parte da minha vida para sempre. Mesmo que ela estivesse em remissão, haveria sempre a necessidade de controle para que não entrasse em atividade. E sabia também que, quanto mais rápido eu a assumisse verdadeiramente, mais rápido conviveria melhor com ela.

Até essa conversa com ela, já estava também com dor de cabeça forte (nunca havia sentido) e minhas pernas doíam de uma forma irritante. A dor era interna e não passava de jeito nenhum. Fui internada às 21h.... fiquei mais de 12 horas no pronto atendimento. Estava assustada, pois tudo era novidade prá mim. Demorou todo esse tempo porque não haviam vagas em apartamentos, como cobria o meu plano de saúde. Fiquei com medo de ir para enfermaria, sem ninguém conhecido, numa situação tão nova e repentina. Preferi ficar na urgência, vendo de tudo, mas com alguém conhecido comigo (mãe ou pai). Foi então, minha primeira internação pela Doença de Crohn.

Vale ressaltar aqui, alguns pontos interessantes na papelada da minha internação. Fiz hemograma, com alterações pequenas, meu sódio estava baixo (129 mEq/l) sendo que o normal é entre 135 a 145 mEq/l, e urina. Fiz também tomografias do Abdômen superior e inferior, cujas alterações foram somente essas:

“espessamento parietal dos cólons transverso, descendente sigmóide, compatível com impressão clínica.”

Bom, isso ocorreu em novembro/01. É bom lembrar que, dessa vez, tudo aconteceu em outro hospital, diferente daquele da primeira colonoscopia. Havia mudado de plano de saúde e minha médica atendia nesse hospital particular, onde ela mesma marcou o exame e solicitou minha internação. Desde então, todas as internações foram (e ainda são) nesse hospital.

Vamos ao laudo da colonoscopia:


“Medicação: dormonid (sedativo)+ fentanil (análgésico opióide) + propofol (sedativo) Assistência do Anestesista e monitorização cardiorespiratória.

Duração 15 min.

Achados Endoscópicos: colonoscopia até o ceco em boas condições de preparo. Reto apresentando mucosa hiperemiada, granulosa, com ulcerações nas válvulas retais. Os segmentos colônicos encontram-se de conformação conservada, porém com edema importante, redução do calibre em vários pontos do cólon esquerdo. A mucosa apresenta-se com sinais de processo inflamatório atual grave, hiperemia, edema, ulcerações longitudinais profundas acometendo até o íleo terminal, poupando um pouco o cólon direito. Ausência de formações polipóides ou tumores em todo trajeto colônico e reto. Não foram identificados óstios diverticulares, bem como não há sinais diretos ou indiretos de espasticidade colônica. Não foram observados ectasias vasculares ou vasos de distribuição aberrante.


Conclusão: Doença de Crohn grave, íleo-cólica-perineal.


Nível atingido: ceco”



Alguns significados: edema é o mesmo que inchaço. Quando se fala em redução do calibre é o mesmo que diminuição da área interna naquele pedaço do intestino. Significa estenose. É importante isso porque aqui começa minha história com as várias estenoses pelo intestino. Mais um esclarecimento: existe a Doença de Crohn de caráter estenosante e a fistulizante.

As fotos do exame:

1- ceco

2- cólon esquerdo em área edemaciada

3- válvula íleo-cecal

4- cólon esquerdo

5- ângulo hepático

6- cólon sigmóide com úlceras

7- cólon transverso

8- cólon sigmóide

(imagem da localização dos cólons mais abaixo)


No dia seguinte ao exame recebi alta hospitalar, com as seguintes informações relevantes no sumário de alta:


“Motivo da internação: Doença de Crohn grave, com cefaléia, dor em MMII, calafrios, febre e diarréia.

Exames realizados: urina rotina (piúria e hematúria), Vídeocolonoscopia (doença ativa grave do ânus ao íleo terminal.


Tratamento: corticóide EV (endovenoso), antibioticoterapia, soroterapia.


Evolução: Melhora progressiva.

Exames de sangue controle normais, com exceção de hiponatremia – Albumina (2,2)


Diagnóstico da alta: Doença de Crohn.”



Para esclarecimentos a quem não detém o significado dos termos técnicos: piúria significa pûs na urina e hematúria, sangue na urina. MMII quer dizer membros inferiores. Hiponatremia é diminuição de sódio no sangue (explica as dores nas pernas);

Minha médica me disse que eu tive uma infecção urinária, mas que, paralelamente, alguns sintomas pareciam ser efeito colateral do novo medicamento. Me explicou que ele só começava a fazer efeito lá pelo terceiro mês de uso contínuo e que, nesse intervalo, alguns efeitos colaterais poderiam ocorrer. Alguns sintomas que senti poderiam ser esses efeitos.

Voltei para casa, após 9 dias de internação, com corticóide 20mg, Ciprofloxacina 500 por 3 dias (antibiótico), amitriptilina 25g (antidepressivo). Estava também mais consciente de que precisa cuidar mais de mim e com a impressão de que minha história com o Crohn estava só começando...

(imagem para identificação dos cólons no intestino grosso)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

8- Colonoscopia

Existem vários exames para a confirmação da DII e também para o acompanhamento da doença. Para controle, os mais comuns, além dos exames de sangue, são o Trânsito Intestinal (ou Morfologia do Delgado) e a Colonoscopia. Como me pediram para falar um pouco mais sobre a colonoscopia, criei esse post para detalhar um pouco mais sobre o procedimento, pois várias pessoas se sentem inseguras em relação a ele, mas é um exame simples e tranquilo. A parte mais "chata" é seu preparo.

Quem já foi em um(a) coloproctologista já deve ter feito o exame retossigmoidoscopia, aquele em que você fica literalmente "de quatro" e o médico introduz um aparelho pelo ânus. Pois bem, é parecido com a colonoscopia, só que o aparelho só consegue chegar até uma parte do cólon descendente.


A colonoscopia é um procedimento comum e muito seguro para examinar a região do intestino grosso. Colonoscopia significa “olhar dentro do cólon”. Permite que o médico examine as paredes do cólon (intestino grosso) através de um aparelho, o colonoscópio, que consiste em um tubo flexível de aproximadamente um dedo de espessura, com uma micro câmera e uma luz para examinar cuidadosamente o trato intestinal. O colonoscópio fica conectado a um monitor de televisão que permite ao médico visualizar as imagens do cólon. Diversas ferramentas pequenas podem ser inseridas através do colonoscópio para o médico obter amostras e biópsias do cólon e, também, realizar uma quantidade de manobras que o auxiliam no diagnóstico.

Para tanto é fundamental que o intestino grosso esteja muito bem limpo para que o exame seja satisfatório. O preparo é muito simples e é realizado através de medicações laxativas para limpeza do cólon, e de uma dieta adequada na véspera do exame. Este preparo é importante, pois irá permitir ao gastroenterologista uma visão mais clara e precisa durante o exame. Lembre-se de beber muita água nesta fase, para repor os líquidos que seu intestino deve perder.

Se você precisa tomar medicamentos já receitados, o faça somente com água. Produtos à base de aspirina (AAS, ácido acetilsalicílico) e preparações que contenham ferro devem ser suspensos dois dias antes do exame.


Você deitará confortavelmente sobre seu lado esquerdo e receberá soro e uma solução sedativa, pela veia, para seu relaxamento. O médico, então, passará o aparelho através do ânus para o reto e posteriormente por todo o cólon. Você poderá sentir alguma cólica e sensação de estufamento, pois é necessário manobrar o aparelho e colocar ar no intestino para permitir o exame de suas paredes. Essas sensações são normais e passam rapidamente. Às vezes, são necessárias trocas de posição durante o exame, para facilitá-lo. Se necessário, pequenas amostras de tecido (biópsias) serão retiradas para análise. Não se preocupe, pois isso é totalmente indolor.

O tempo de duração do exame pode variar entre 15 e 20 inutos e até 50 minutos, dependendo do grau de dificuldade para introduzir o aparelho até o início do cólon e de eventuais procedimentos que se fizerem necessários (por exemplo, retirada de pólipos).

Após o exame o paciente permanecerá na área de repouso até que os efeitos dos medicamentos desapareçam. Cólicas leves, estufamento e desconforto no abdomen poderão ocorrer devido à presença de ar no intestino, aliviando após sua liberação.

Em virtude do uso de medicação sedativa, você não poderá dirigir automóveis, operar maquinaria ou tomar decisões importantes pelo resto do dia. Mesmo que você se sinta normal, é sabido que a sedação diminui os reflexos e o julgamento por várias horas. Por esse motivo, venha acompanhado para o exame por alguém capaz de levá-lo para casa.

Se você quiser saber mais sobre algum exame, deixe sua sugestão nos comentários, ok? Abaixo deixo um vídeo de uma parte de uma colonoscopia, para quem tiver interesse.

Bjim!


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

2- O Começo


Nessa data em que escrevo tenho 38 anos. Descobri que tinha Doença de Crohn no final do ano 2000, mas os primeiros sintomas apareceram uns 6 meses antes. Comecei com cólicas seguidas de evacuações. E eram constantes...

No começo ia ao banheiro para evacuar umas 4 vezes ao dia. Marquei consulta mas pelo plano de saúde que eu tinha na época, só consegui para 1 mês depois. Logo na primeira me mandou fazer exames de sangue... voltei com o resultado. Como não havia nada conclusivo, pediu um exame chamado "enema opaco". Hoje já fiz muitos exames e posso dizer que esse foi o pior de todos!

No resultado também não havia muito coisa clara, fui fazer uma tomografia abdominal. Também nada. Passei para um outro gastroenterologista. Nada!

Fui em outro, que me pediu um exame chamado "trânsito do delgado". Esse exame sugeriu uma doença inflamatória. Esse médico então disse que seria melhor eu visitar um coloproctologista. Marquei, mas já tinham se passado 4 meses e minhas evacuações agora eram em torno de 8 a 10 vezes por dia!

Na consulta, a procto me explicou tudo detalhadamente, de cada exame que já tinha feito. E me pediu mais um para confirmar a doença e ela mesma faria em mim no hospital. Nunca antes havia sido tratada por um profissional da saúde com tanto zelo. Considero essa médica como uma anja que Deus me enviou.

Acho que todos os pacientes de Crohn (ou Retocolite) tiveram dificuldades quanto ao diagnóstico. Os sintomas sugerem várias enfermidades e os exames não afirmam nem apontam para uma doença específica. Existe a necessidade de exclusão pelos exames e análise minuciosa do exame físico e da anamnese.

A imagem acima é da minha primeira colonoscopia. É um exame importante e necessário para quem tem DII que consiste em um tubo flexível com uma câmera na extremidade, e que é inserido pelo ânus até o começo do íleo (intestino delgado). Com ele vê-se todo o trajeto do intestino percorrido. É o exame de controle indicado para quem tem retocolite e crohn, além do trânsito intestinal, que identifica fístulas e estenoses.

Ao longo do blog vamos esclarecendo alguns detalhes. Por isso é importante a sua participação deixando comentários e questões pertinentes a serem tratadas aqui.

Abraços a todos!