terça-feira, 27 de maio de 2008

25- 2004: Um Ano de Grandes Acontecimentos...

Vou começar o ano de 2004 contando tudo que aconteceu em relação ao benefício de auxílio-doença que deixei de receber em 2003. Aí faço uma emenda com o post anterior para que o raciocínio não se perca.

Quando 2004 começou, eu já estava uma pilha de nervos por causa da falta de dinheiro. Estava recebendo regularmente pelo número novo do benefício, mas o não recebimento dos meses de outubro e novembro/03, mais o 13º, estavam fazendo muita falta. Tive que atrasar os pagamentos normais e ainda não havia conseguido me regularizar perante o banco. Estava com saldo negativo e, pela cobrança de juros, nem que a Previdência repusesse o dinheiro que me devia corrigido, não iria conseguir voltar à situação anterior. Isso me proporcionava um desespero terrível.

No início de 2004 foi necessário fazer um empréstimo para pagar a matrícula na faculdade e, mais à frente, fiz outro para pagar o plano de saúde que estava atrasado há 3 meses e eu corria o sério risco de perdê-lo. Como eu havia dito antes, nunca antes havia feito dívidas dessa forma. Não sabia lidar bem com isso ainda. Enfim, pela Previdência as coisas haviam se normalizado. Tinha perícias regulares e os pagamentos eram depositados em dia. Quanto aos meses atrasados, durante o primeiro semestre desse ano, compareci 8 vezes na Previdência para tentar resolver. O "0800" só fazia passar raiva. Era preciso ir pessoalmente. Nova maratona de filas e madrugadas. O problema é que nunca conseguia resolver nada. Em uma das vezes, estava tão nervosa com a situação que chorei copiosamente na frente de todos os funcionários e pessoas que estavam sendo atendidas. Tudo bem que sou uma chorona assumida, mas não costumo chorar em público, como uma criança desesperada. E foi exatamente o que fiz. Mas de nada adiantou.

Por volta de julho, novo empréstimo, claro. Era o mês de matrícula novamente. Para vocês entenderem, a faculdade divide o curso em períodos de 6 meses cada. Eu tinha 40% de crédito rotativo, mas a matrícula deve ser feita integralmente. Nessa época era algo em torno de R$800,00 (oitocentos reais). O não recebimento dos meses de 2003 do auxílio-doença estava me levando para um buraco financeiro que eu não sabia quando iria ficar regularizada novamente. E agora já eram 3 empréstimos a pagar.

Por volta de agosto, desisti de brigar, pelo menos até recuperar minhas forças. Estava muito desgastada física e emocionalmente. A parte física vou relatar daqui a pouco. Voltando à Previdência. Em setembro, em visita a uma amiga que trabalhava com contabilidade e tinha uma grande experiência em batalhas judiciais, contei o que estava acontecendo comigo financeiramente. Ela se propôs a me ajudar e me deu algumas orientações. Redigimos uma carta direcionada à Previdência relatando o ocorrido e todas as minhas tentativas (frustradas) de conseguir resolver a situação: "0800", e-mails (6 ao todo) para a ouvidoria, visitas em pessoa à sede. Levaria em duas vias, pediria autenticação de recebimento e avisaria que em 10 dias entraria com um processo contra a Previdência. A briga agora seria na base da lei.

Não deu outra! Em uma semana me ligaram, calcularam os valores atrasados comigo pelo telefone e, uma semana após o telefonema o dinheiro estava na minha conta. Como eu havia imaginado, o dinheiro não foi suficiente para pagar as contas atrasadas e sair do "vermelho". Mas consegui relaxar. Era um problema a menos para pensar.

Durante esse ano de 2004 desenvolvi três amizades especiais em momentos e formas diferentes. Estava numa fase de solidão (tinha afugentado todos de perto de mim de novo!) e essas 3 pessoinhas lindas precisavam de mim como uma pessoa mais vivida que eles. Foi uma troca muito legal e gostosa. São mais novos que eu, mas com uma sabedoria imensa, que ser for aliada à prática do bem, serão criaturas valorosas ao mundo. Com um deles a amizade perdura até hoje (2008). Podemos ficar longe por meses, mas nosso afeto não diminui. O carinho mútuo que temos é algo muito difícil de explicar. É como se cuidássemos, com muito zelo e naturalidade, um do outro. Enfim, esse trio fez a diferença em mim durante esse ano com experiências inesquecíveis. Tivemos momentos bons, de alegria. E momentos ruins, mas de bastante aprendizado.

Mudando prá outro momento desse ano... Na faculdade... Em 2004 fiz o 4º período no primeiro semestre do ano. Foi o período mais apertado para mim. As matérias já eram bem específicas, exigia um estudo de nível bem teórico sobre as patologias em si e sobre a postura do Enfermeiro na prática: os exames e as condutas durante uma consulta de enfermagem. Aprendi demais. Entendi que, para poder cuidar de forma coerente, precisava saber as causas e origens das doenças. E que cuidar, é muito mais que tratar essas doenças: é tratar o ser humano.

Já no segundo semestre, 5º período do curso, foi a época do meu 1º estágio supervisionado. Fui a campo mesmo, praticar a teoria aprendida até agora. Passei por vários setores de vários hospitais: clínica médica, CTI, Bloco Cirúrgico, internação. Cada um foi marcante do seu jeito, e, em cada um, me envolvi de forma diferente e especial. Nos setores de Clínica Médica e Internação a gente consegue ver de tudo um pouco e praticar várias técnicas também. São dois campos ricos em prática e aprendizado. Em CTI o contato com o paciente é menor no que se refere a interação, pois a maioria está inconsciente. Mas aprendi a fazer alguns procedimentos muito interessantes e a entender o que acontece, na realidade, nesse universo fechado dos tratamentos intensivos. E no Bloco Cirúrgico, o estagiário de Enfermagem não realiza muitos procedimentos. São poucos, aliás. Mas você vê e participa de cirurgias simples e complexas. Passa a ter uma noção melhor de contaminação. Foi um ano prazeroso na minha vida acadêmica, tirando um pequeno detalhe: precisei de uma nova cirurgia...

No próximo falarei específicamente sobre a minha saúde, mas precisava desta "introdução" para mostrar a relação do emocional com o físico...

Bjins!!!!!


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