terça-feira, 5 de agosto de 2008

35- Resultados com a Alma ainda Doída...

Continuando o post anterior...

Era final de março de 2006 e eu estava providenciando a internação após exames exaustivos...

Para minha surpresa, novamente não haviam apartamentos disponíveis. Isso foi a gota d’água. Dessa vez comecei a chorar sem me preocupar se alguém estava vendo. Poxa! Será que alguma coisa naquele dia poderia dar certo, prá variar?


Fui para a enfermaria, mas pedi à médica, amiga da minha médica, e à minha mãe que resolvessem isso, porque dessa vez queria ficar em apartamento para ter a liberdade de ir e vir ao banheiro e poder descansar, que era tudo que eu mais queria naquele momento. Conseguiram um apartamento para mim e fiquei mais tranqüila. Vou repassar os resultados dos exames para que vocês entendam o que aconteceu daqui para frente. Primeiramente a tomografia:

TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE ABDOME INFERIOR
TÉCNICA DO EXAME: Exame realizado com Tomógrafo Computadorizado Helicoidal. Foram realizados cortes tomográficos de 5 mm de espessura do abdome inferior desde as cristas ilíacas até a sínfise, após ingestão oral, antes e após a injeção venosa do contraste iodado.
DESCRIÇÃO: Os vários cortes realizados evidenciam: Bexiga de forma e contornos normais, sem evidência de falhas de enchimento. Ureteres permeáveis e de calibre normal. Nota-se densificação difusa da gordura mesentérica. Presença de restos de contraste baritado em topografia da ampola retal, que apresenta-se de contornos internos bastante irregulares e apresentando trajeto que comunica-se com o lúmen vesical. Imagem hipodensa localizada entre o reto e a bexiga, densidade elevada, que capta pobremente o meio de contraste venoso.
IMPRESSÃO:
- provável trajeto fistuloso entre o reto e a bexiga.
- coleção localizada entre o reto e a parede posterior da bexiga.

- densificação difusa da gordura mesentérica.


O que tem de importante nesse exame são esses 3 últimos itens. O trajeto fistuloso e a coleção podiam indicar uma perfuração do intestino. Coleção é um acúmulo de pus. Na verdade, soube depois, essa TC mostrou que eu estava com uma fístula reto-pélvica, o que comprovava a suspeita de uma sepsis pélvica (motivo da febre inclusive).

Pra fechar, vamos ao resultados dos ultrassons:

ULTRASSONOGRAFIA ABDOMINAL
FÍGADO: forma, dimensões e contornos usuais, bordas lisas e regulares, textura sólida e homogênea. Padrão vascular intra-hepático de aspecto anatômico.
VIAS BILIARES: ausência de dilatações de vias biliares intra e extra-hepáticas. Hepatocolédoco com calibre médio de 3,3 mm no segmento visibilizado.

VESÍCULA BILIAR: forma e dimensões usuais, parede bem definida, espessura normal. Conteúdo vesicular anecóico, sem evidência de cálculos.

PÂNCREAS: cabeça, corpo e cauda de forma, textura e dimensões dentro do padrão ecográfico normal, sem evidência de lesão cística ou sólida.

RINS: topografia, forma, dimensões, contornos e mobilidade normais. O rim direito me aproximadamente 12,9 x 5,4 cm e o esquerdo 12,4 x 6,3 cm. Área pielo vascular e parênquima preservados e com boa distinção córtico-medular. Ausência de cálculos ou de hidronefrose. Espaços perirenais livres.

BAÇO: de forma e volume usuais, textura homogênea.

AORTA ABDOMINAL: apresenta calibre e contornos normais. Ausência de linfoadenomegalia periaórtica.

BEXIGA: repleta, de forma e contornos usuais, parede normoespessa e conteúdo anecóico. Meatos ureterais livres.

IMPRESSÃO: ausência de alterações ecográficas significativas
.”

ULTRASSONOGRAFIA PELVE
Bexiga com forma, contornos e distensibilidade normais.
Parede vesical normoespessa.

Útero em anteversoflexão, textura miometrial homogênea, contornos lisos e regulares, medindo 8,3 x 3,9 x 5,1 com respectivamente em seus diâmetros longitudinal, antero posterior e transverso. Volume uterino de 86,4 cm3 (valor normal de 25 a 90 cm3).
Eco endometrial compatível com fase do ciclo, medindo 3 mm de espessura.

Coleção hipoecogênica envolvendo o fundo uterino, de limites definidos medindo 6,9 x 2,1 x 2,8 cm nos maiores diâmetros, volume estimado de 21,1 ml.

Pequena quantidade de líquido livre na escavação reto-uterina.

IMPRESSÃO:
• coleção hipoecogênica envolvendo o fundo uterino – abcesso?
• Pequena quantidade de líquido livre na escavação reto-uterina.


Algumas definições que interessam:

Anecóico = sem eco, líquido livre;

Hipoecogênica = uma área de pouca captação da onda enviada.

Enfim, segundo as médicas, o ultrassom pélvico fechou com a tomografia. Ambos acusaram o abcesso e a presença de líquido na cavidade abdominal. Como estava pressentindo que aquela internação iria ser demorada e que, provavelmente teria que me submeter a uma cirurgia, pedi minha médica que fornecesse um atestado. Iria trancar minha matrícula na faculdade...

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