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sábado, 11 de outubro de 2008

46- Acontecimentos Importantes

Nesse intervalo, desde o dia da biópsia, tentei marcar com uma enfermeira especializada em tratamento de feridas (estomaterapeuta), para que diagnosticasse o melhor curativo para a ferida naquele momento. Eu não ia arriscar com o conhecimento que tinha porque era uma situação atípica, pois a ferida estava embaixo de uma placa que adere à pele, evitando assim que ela respirasse, e ao lado do estoma, por onde saíam fezes regularmente, várias vezes ao dia. Consegui marcar a consulta para o dia 16 de outubro/06.

Na consulta, ela indicou que eu usasse uma placa de hidrocolóide, para facilitar a granulação da ferida. Já saí da consulta usando uma, que era fixada em cima da ferida, e protegida das fezes nas laterais pela pasta que usava antes, para logo depois fixar a bolsa da colostomia. Eis o relatório de Enfermagem da consulta:

“Doença de Crohn grave com ferida aberta periestomal. Feito biópsia da ferida em 02/10 (inflamação aguda e crônica ulcerada em pele peri-colostômica”

Só que fiquei sabendo que essa enfermeira era representante da marca de bolsa que eu usava quando a ferida surgiu. E também achei estranho não marcarem um retorno.

Agora, além do trabalho para trocar a bolsa, pois tinha que cuidar da ferida com mais calma, comecei a ter mais gastos com as placas de hidrocolóides, que não são baratas. Mas agora vou postar mais duas fotos, de 15 de outubro (1 dia antes do uso da placa de hidrocolóide) e dia 19 de outubro (4 dias após). A diferença é mínima, em relação à diferença ocorrida tão rapidamente conforme exposto acima, após a auto-hemoterapia.


Logo depois, veio o resultado da biópsia:


“Biópsia de pele peri-colostômica para esclarecimento diagnóstico. Retalho irregular de pele e subcutâneo medindo 0,9 x 0,7cm em áreas 1,5cm de espessura.

MICROSCOPIA: uma lâmina mostra cortes de pele e partes moles subjacentes apresentando moderado infiltrado inflamatório granulomonocuclear multifocal com área de ulceração e de necrose. A epiderme exibe acantose regular. Ausência de processo específico ou de malignidade.

DIAGNÓSTICO: inflamação aguda e crônica ulcerada em pele peri-colostômica.”


Estava descartado Pioderma Gangrenoso e a Doença de Crohn na pele. Não sabíamos o que era, mas precisávamos cuidar, claro. Eu, particularmente, suspeitava da alergia ao material da bolsa de colostomia. E aí começa mais um desgaste. A tentativa de fechar essa ferida para a realização da cirurgia de hérnia e correção do estoma. Mas a cada dia que passava, outro problema começava a ficar mais sério. Meu estoma estava fibrosando... Se vocês observarem melhor a foto, meu estoma está esbranquiçado, sendo que o normal é ele ser vermelho, já que é a própria mucosa do intestino.

Mas como na vida sempre aparecem compensações, começo aqui o relato do que de melhor pôde me acontecer esse ano, quiçá, nos últimos anos de minha vida: me apaixonei. Não vou detalhar porque envolve outra pessoa além de mim, mas preciso relatar os acontecimentos importantes dessa etapa, para que o emocional possa ser colocado em pauta aqui.

Começou a aflorar em mim um sentimento muito gostoso, como há muito tempo eu não sentia. E aí, o medo fez morada. Todas as experiências anteriores vieram à tona dentro de mim e questionamentos intermináveis começaram a tomar conta da minha cabeça. Precisava decidir, antes de qualquer coisa, se estava disposta a arriscar uma relação a dois novamente. Mas devo confessar aqui, pela primeira vez, que não conseguia tomar essa decisão, pois o medo era muito grande e forte, tanto para arriscar como para desistir. Sinceramente não entendia por que esse despertar estava acontecendo nesse momento, onde tudo estava complicado para mim. Foi então que veio o seguinte raciocínio: se um sentimento desses aflorou nesse momento, pode ser a vida me dando outra chance de ser feliz, por que não?

Comecei, a partir desse instante, a me soltar mais com ele, falar dos problemas atuais, das preocupações, e ele foi se soltando um pouco mais também. E uma certa intimidade aflorou entre nós, mas de uma forma bem espontânea e natural. Tudo isso começou a me fazer muito bem e, no final desse mês de outubro, procurei pensar friamente, racionalmente, coisa que para mim é dificílimo. Será que não era apenas carência afetiva?


Essas e outras perguntas teimavam em fazer morada dentro de mim, pois não queria e não podia errar de novo. E uma outra pergunta, muito forte, também fazia parceria com essas: e se fosse melhor continuar sozinha para o resto da vida? Poderia não ser feliz, mas também não correria risco de sofrer mais do que já tinha sofrido até então. Mas a idéia de ficar com ele era tão forte, que decidi encarar. Sei que aqui estou contando rapidamente como me senti na época, mas saibam que foram dias intermináveis até tomar essa decisão. Quando digo que decidi encarar, quero dizer que resolvi sair da concha e tentar, mas estava morrendo de medo de sofrer novamente, muito medo mesmo. Mas o que seria de mim se parasse de tentar? Como poderia conviver com a dúvida se teria dado certo ou não? Eu estava desmotivada sim, mas foi ele mesmo que me animou novamente. E depois de muito pensar, cheguei à conclusão que o que sentia dentro de mim não era gratidão somente. Claro que eu era grata por tudo que ele estava fazendo por mim (já éramos amigos), mas existia algo além desse sentimento, um frio na barriga, a vontade de encontrá-lo pessoalmente e trocar um abraço bem forte e carinhoso, entre outras tantas vontades. Sim! Eu iria arriscar!

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Um comentário:

Anderson J Raimundo disse...

olá td bem? eu achei seu blog por acaso no google, poís estava pesquisando sobre as doenças intestinais, estou usando um colostomia temporaria, logo, logo estarei realizando outra cirurgia pra se Deus qiser voltar ao normal, meu intestino estava muito inflamado e estava perfurado, mas os médicos não descobriram a causa, na biopsia felizmente não deu nada. Só descobri que estava com inflamação, simplesmente que sentia dor toda vez q urinava, o que na verdade eraque o intestino já estava inflamado e comprimiu o ureterer que consequentemente dilatou meu rim direito. Agora depois de um mês que operei, o rim não está mais dilatado. Agora estou lendo toda a sua história, pois prtendoquem sabe mais adainte escrever a minha história também, pois só vou me sossegar o que causou tudo isso em mim.

Abraços e Sucesso!!!